Compilado do Código Fonte TV
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COMPILADO #98: Amazon lança rival do Copilot; Treta gigante no Rust e Python; C# 12 com 3 novidades; Framework front-end para Go; OpenAI paga até 20k por bugs
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COMPILADO #98: Amazon lança rival do Copilot; Treta gigante no Rust e Python; C# 12 com 3 novidades; Framework front-end para Go; OpenAI paga até 20k por bugs

Gabriel Froes
8 min
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Treta no Rust: não pode usar o nome “Rust”

O Rust está vivendo o seu melhor momento, ganhando espaços que muitas linguagens de programação apenas sonham. Era para ser o momento de ouro da comunidade, mas uma polêmica está rachando os desenvolvedores. A Rust Foundation, que administra as marcas “Rust” e “Cargo”, está planejando pegar pesado com qualquer um que tente utilizar esses e outros termos restritos em seus produtos. No dia 7 de abril, a entidade publicou um rascunho das novas políticas de uso e pediu o feedback da comunidade. A comunidade respondeu com preocupação. A proposta é passar a exigir uma licença daqui pra frente para fazer referência à linguagem de programação ou suas marcas.

Segundo o documento oficial, “o uso das Marcas em nome de uma ferramenta para uso na cadeia de ferramentas Rust, um programa de software escrito na linguagem Rust ou um programa de software compatível com o software Rust provavelmente exigirá uma licença. A abreviação ‘RS’ pode ser usada em seu lugar”. Essa mudança afetaria inclusive bibliotecas já consagradas, como intellij-rust, openssl-rust, rust-postgres e várias outras que são identificadas dessa forma. Essa restrição também se aplicaria a nomes de eventos, domínios e subdomínios de internet e mais. Sobre as críticas, a Rust Foundation afirmou pelo Twitter que está monitorando todas as respostas e fornecerá uma atualização no dia 17 de abril.


Treta no Python: fundação compra briga com a União Europeia

Outra comunidade que também foi arrastada pra treta por sua principal entidade foi a comunidade do Python, só que dessa vez os devs estão todos do mesmo lado. A Python Software Foundation (PSF) está disposta a comprar briga com a União Europeia sobre a nova lei de segurança eletrônica que está sendo imposta, o Cyber Resilience Act. No entendimento da PSF, se essa legislação entrar em vigor, os autores de componentes de código aberto podem ter responsabilidade legal e financeira pela forma como seus componentes são aplicados no produto comercial de outra pessoa. De acordo com a PSF, a forma como a lei foi escrita é ampla demais e aberta a múltiplas interpretações.

Em 25 de maio se encerram os debates públicos sobre o Cyber Resilience Act, então a hora de se colocar a boca no trombone é agora. A entidade se manifestou sobre o tema e declarou: “sob a forma atual, a PSF pode ser potencialmente responsável financeiramente por qualquer produto que inclua código Python, embora nunca tenha recebido nenhum ganho monetário de qualquer um desses produtos”. A nova legislação traz multas que podem chegar a 15 milhões de Euros e isso está assustando a comunidade de código aberto, que não deseja ser responsabilizada pelo mau uso que suas bibliotecas e soluções possam ter em programas comerciais.


Elon Musk pede pausa nas IAs, mas estaria querendo rival para o ChatGPT

Elon Musk é um dos principais nomes na assinatura da carta aberta que pede suspensão de seis meses no desenvolvimento de IAs, por causa dos supostos riscos da tecnologia. Por outro lado, portais de tecnologia dos Estados Unidos descobriram que o empresário pode estar interessado em construir um rival do ChatGPT. O projeto estaria sendo desenvolvido sob o teto do Twitter e já teria sido feita a aquisição de 10 mil processadores especializados para desenvolver grandes modelos de linguagem. Com uma unidade dessas custando cerca de 10 mil dólares, o investimento de Musk bateria na casa de 100 milhões de dólares, assinalando um compromisso com a tecnologia em meio à crise financeira do Twitter.

Além disso, especialistas em Engenharia de Inteligência Artificial também já teriam sido contratados para a tarefa, principalmente entre talentos da Deep Mind, do Google. Igor Babuschkin, um dos fundadores da DeepMind, estaria na mira das contratações. Babuschkin confirmou que houve uma aproximação com Elon Musk, mas negou que tenha aceitado se juntar a qualquer iniciativa no Twitter. Segundo fontes consultadas de forma anônima, as conversações a esse respeito ainda estariam em fase inicial, porém Musk já teria começado a recrutar talentos antes mesmo da carta-aberta contra as IAs. Seriam os seis meses de pausa uma forma de Musk ganhar tempo nessa corrida?


C# 12 está vindo com três recursos poderosos

O C# chega na versão 12 somente em novembro, mas já dá para sentir um gostinho do que está vindo por aí. Três novas funcionalidades foram reveladas no .NET 8 Preview 3, que foi liberado nessa semana. Os recursos inéditos são construtores primários para classes e estruturas não registradas, valores padrão para parâmetros de expressão lambda e o uso de aliases para qualquer tipo. Os construtores primários estavam presentes na linguagem de programação desde o C# 9, de 2020. Entretanto, eles eram restritos e faziam parte da sintaxe posicional para registros. A partir do C# 12, os construtores primários estarão disponíveis para todas as estruturas e classes.

O C# 12 também terá mudanças significativas nas expressões lambda, como parte de uma estratégia da Microsoft para fortalecer o seu uso. Os desenvolvedores passarão a ser capazes de definir valores padrão para os parâmetros das expressões lambda, usando as mesmas regras e a mesma sintaxe usadas para adicionar valores padrão de argumentos de qualquer função ou método local. Em relação aos aliases, eles eram restritos a tipos nomeados anteriormente. Com a próxima versão do C#, será possível utilizar aliases para qualquer tipo, incluindo arrays, tuples, pointers e tipos inseguros. A Microsoft está incentivando que os desenvolvedores deem uma conferida nessas mudanças e compartilhem seu feedback pelos canais oficiais.


OpenAI paga até 20 mil dólares por bugs

A OpenAI quer tornar a tecnologia mais segura e, para eles, isso significa identificar e corrigir vulnerabilidades. Para alavancar essa iniciativa, a startup juntou forças com a Crowdbug e lançou um programa de caça de bugs, com recompensas. Se você ficou interessado, é bom saber que os valores começam em 200 dólares, mas podem chegar a 20 mil dólares, dependendo da gravidade da brecha de segurança que for encontrada. Em seu comunicado oficial, a OpenAI declarou: “agradecemos as contribuições de hackers éticos que nos ajudam a manter altos padrões de privacidade e segurança para nossos usuários e tecnologia”.

Até o fechamento dessa edição do Compilado, já haviam sido detectadas e reportadas 29 vulnerabilidades que se qualificaram para receber recompensas. Apesar desses primeiros resultados, a iniciativa já recebeu críticas da comunidade de segurança. As maiores preocupações dizem respeito ao próprio uso da IA para atividades ilícitas como falsificação de identidade, produção de mídia sintética para fake news ou ferramentas de hacking automatizadas, problemas que não são cobertos pelo programa de caça de bugs da OpenAI. Segundo as regras do programa, ele não se aplica para esses casos, assim como nada relativo ao conteúdo do modelo de linguagem.


Framework front-end surge para turbinar o Go

O engenheiro de software Paul Smith disponibilizou o framework de código aberto Pushup, com o objetivo de acelerar a criação de páginas web. De acordo com seu criador, esse é o primeiro framework web em Go focado na experiência frontend de escrever templates. Uma das vantagens de Pushup é que os arquivos criados tem o mesmo nome no sistema de arquivos e na URL. Em suas próprias palavras, “você pode simplesmente iniciar um novo arquivo, nomeá-lo, salvá-lo e ir imediatamente para o navegador e acessá-lo ali mesmo”. Embora isso seja possível no Go padrão, a proposta é facilitar todo o processo.

Paul Smith sabe do que está falando. Ele foi um dos responsáveis por atualizar o site do sistema de saúde dos Estados Unidos. A plataforma funcionava originalmente com Java e centenas de máquinas rodando aplicações. Smith adotou o Go como solução para o caso. Com uma equipe de apenas quatro desenvolvedores, ele conseguiu agilizar sensivelmente a performance e a estabilidade do sistema. Das lições aprendidas no projeto, Smith resolveu buscar inspiração no Ruby on Rais e no Django para criar um framework orientado para páginas, porém mantendo-se dentro do ecossistema do Go. Nascia o Pushup, que agora está disponível no GitHub para quem quiser usar.


Amazon libera o rival do GitHub Copilot

A Amazon começou um gigante do comércio eletrônico, virou um gigante da nuvem e agora quer continuar gigante no campo da Inteligência Artificial. Só nessa semana, a empresa anunciou grandes novidades em duas frentes. A primeira recebeu o nome de Amazon Bedrock. Trata-se de um novo serviço da AWS para hospedagem de modelos de linguagem de terceiros. Startups como AI21 Labs e Stability AI já disponibilizaram modelos pré-treinados, mas a própria Amazon também anunciou uma família de modelos desenvolvidos internamente, chamados de Titans. Todo esse potencial poderá ser acessado via APIs pelos assinantes e usuários da AWS que tenham interesse em explorar as Inteligências Artificiais generativas.

A outra novidade da Amazon é a mudança no modelo de licenciamento do CodeWhisperer. A ferramenta é um assistente inteligente para código, um rival do GitHub Copilot. O CodeWhisperer estava em versão preview desde o ano passado, mas agora é oficial: o recurso está liberado para todos os interessados e permanecerá gratuito para desenvolvedores individuais, com licenças específicas para usuários corporativos. Além da vantagem do custo, o CodeWhisperer tem outro diferencial em relação ao Copilot: ele foi treinado em código open source, mas também no próprio código proprietário da Amazon, o que o torna uma ferramenta especializada em recursos da AWS.